Qual é a diferença entre vinho italiano e francês?
Itália e França rivalizam em muitos aspectos: das vitórias no futebol às belezas das cidades, da fama de seus queijos à qualidade de seus vinhos. Ou seja, a briga é boa em muitos campos. Ambos os países produzem rótulos icônicos que são apreciados no mundo inteiro. Se a França se orgulha do champanhe, dos tintos de Bordeaux e dos brancos de Chablis, a Itália é admirada pelos Barolos e Barbaresco do Piemonte, pelo Amarone do Vêneto e pelos tintos da Toscana. Ambos os povos são grandes tomadores de vinhos, estando sempre nas primeiras posições do consumo mundial, atrás apenas dos portugueses. Em relação ao volume de vinho produzido, os dois países ocupam as primeiras duas colocações, porém, nos últimos anos, a Itália se consolidou na liderança. Mas quais são as diferenças principais entre os vinhos italianos e franceses? Entenda! Sistema de classificação A França usa o sistema AOC (Appellation d'Origine Contrôlée), com regiões de produção demarcadas. As regras costumam ser muito rígidas quanto a terroir, castas e métodos permitidos. A Itália tem o sistema DOC (Denominação de Origem Controlada) e DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida – mais rigorosa), inspirados no francês, mas geralmente com um pouco mais de flexibilidade regional. O objetivo dos dois sistemas é o mesmo: guiar os produtores a seguir regras de produção de modo que a qualidade do vinho respeite os padrões de qualidade das regiões demarcadas por lei. Filosofia geral Os vinhos franceses tendem a valorizar o terroir acima de tudo, ou seja, a expressão do solo e clima específicos costuma vir antes da variedade da uva na identidade do vinho. Por isso, muitos rótulos franceses nem mencionam a casta, mas só a região: Bordeaux, Borgonha, Champagne, só para citar as mais famosas. Já os vinhos italianos costumam equilibrar terroir com a personalidade da variedade da uva e da tradição regional. A Itália possui a maior variedade de uvas entre os países produtores, cerca de 300 usadas comercialmente. Uvas típicas A francesa Pinot Noir é cultivada também na Itália onde é conhecida como Pinot Nero. Divulgação/Porto a Porto. A França é famosa pelos tintos intensos e encorpados de Bordeaux produzidos com misturas de uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot, só para citar as mais importantes. Já a Pinot Noir é a estrela dos vinhos tintos da Borgonha, conhecidos por serem elegantes e sofisticados; a Chardonnay é a rainha de Chablis, uma sub-região da Borgonha, onde produz rótulos complexos e minerais. Na região de Champagne nascem os espumantes de método clássico mais famosos do mundo, de alta acidez, perlage (bolhas) fino e grande complexidade de sabores. São produzidos, principalmente, com as uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay. O estilo francês é copiado no mundo inteiro e isso explica porque essas uvas são difundidas em muitos países: do Chile à Nova Zelândia, passando por Argentina e Líbano. A Itália também possui variedades famosas, mas que com menos frequência são cultivadas fora do país. A Sangiovese é a rainha da Toscana, onde produz Chianti e Brunello di Montalcino, dois tintos famosos pela acidez e rusticidade. Já no Piemonte, brilha a uva tinta Nebbiolo que é a base dos elegantes e complexos Barolo e Barbaresco. No nordeste do país, a uva branca Glera produz o famoso espumante Prosecco, refrescante e delicioso. No sul da Itália, temos ainda a Montepulciano, variedade tinta do Abruzzo, a Primitivo na Puglia e a Nero d’Avola na Sicília, só para citar as mais populares. Na Emilia-Romagna, o famoso Lambrusco domina a mesa, enquanto na região de Roma, o Frascati é um ícone. Estilos de tintos Produzido com a uva Nebbiolo, o Barolo é um dos tintos mais renomados da Itália. Divulgação/Porto a Porto. É difícil generalizar sobre as diferenças de estilo entre vinhos tintos franceses e italianos, pois há muitas variáveis em jogo: uvas, clima, solo, produtor e técnicas de vinificação. Porém, é possível apontar algumas características típicas. Os vinhos franceses, em geral, tendem a ser mais estruturados, elegantes e com acidez equilibrada, especialmente os tintos de Bordeaux, que são conhecidos pela potência e corpo. Já na Borgonha os tintos são mais delicados e com camadas aromáticas mais complexas. No Vale do Rhone, os tintos são blends de uvas como Grenache, Syrah e Mourvèdre, e costumam ter aromas frutados e notas de couro, taninos firmes, acidez e álcool destacados: os melhores rótulos provêm da AOC Châteauneuf-du-Pape. Já os tintos italianos são excelentes opções para acompanhar comida, que é quase uma regra na cultura italiana. O vinho na Itália é feito para a mesa. No Noroeste da Bota, você encontra os tintos do Piemonte, como Barolo e Barbaresco, à base de uva Nebbiolo, que entregam a potência de Bordeaux mesclada à elegância da Borgonha. Já no Vêneto, no Nordeste, você tem tintos com blends de uvas locais, com alta acidez, delicadamente frutados e de taninos redondos, que são muito versáteis à mesa. Na Toscana e no Abruzzo, regiões do Centro, os tintos têm acidez mais alta e taninos mais presentes, que os torna rótulos ideais com carnes assadas e grelhadas, inclusive de cordeiro. Nas regiões do sul da Itália, como Puglia e Sicília, você encontra tintos de frutas madura, textura aveludada e taninos macios, perfeitos com massas ao sugo e carnes assadas ou grelhadas. Estilos de branco Sauternes é um vinho branco da região de Bordeaux entre os mais complexos do mundo. Divulgação/Porto a Porto. Os grandes vinhos brancos da França são produzidos principalmente em três regiões. O Vale do Loire, no Norte, é famoso pelos elegantes rótulos de Sauvignon Blanc, com toques cítricos e apreciadas notas de mineralidade, um estilo que tenta ser replicado em muitos outros lugares. Já os brancos de Chablis, na Borgonha, seguem outro perfil: elaborados com a uva Chardonnay são vinhos mais untuosos em boca, com aromas de maçã golden, maracujá e frutas cítricas. Apesar de ser conhecida pelos tintos, Bordeaux produz também excelentes brancos que são blends de Sauvignon Blanc e Sémillon, com aromas de camomila, toranja e cera de abelha. O grande destaque, contudo, são os vinhos de sobremesa da denominação de Sauternes, que são viscosos, ricos e complexos. Na Itália, há vinhos brancos de Norte a Sul. Vale destacar os rótulos de Pinot Grigio, no Nordeste, com sua elegante mineralidade e as uvas Trebbiano e a Fiano no Centro-Sul, difundidas respectivamente nas regiões Abruzzo e Campânia, com seus vinhos frutados, florais e muito gastronômicos. Espumantes Espumante italiano Prosecco é um dos mais apreciados em festas no mundo inteiro. Divulgação/Porto a Porto. A França conquistou o mundo com seus Champagne, elaborados pelo método tradicional, com a segunda fermentação na garrafa, e seus Crémant, espumantes produzidos pelo mesmo método, mas fora da região demarcada da Champagne. A Itália produz espumantes com o mesmo método de Champagne na Franciacorta, sub-região da Lombardia, no Norte da Bota. Já o Prosecco é produzido no Nordeste, porém pelo método Charmat com a segunda fermentação em tanques de inox: o resultado é um vinho mais frutado e floral e menos encorpado que o Champagne. Itália ou França: qual vinho escolher? No fim, é bastante uma questão de estilo pessoal: quem gosta de vinhos mais estruturados e clássicos tende a preferir os franceses; quem busca algo mais versátil à mesa e com identidade regional marcante costuma se apaixonar pelos italianos. BEBA MENOS, BEBA MELHOR.
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